Ano de vinho “excelente” alavanca crescimento das empresas do setor
21 Outubro, 2015
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A vindima deste ano foi «entre muito boa e excecional» em quase todas as regiões vitivinícolas portuguesas em qualidade e quantidade, garante Miguel Pessanha, administrador da Sogrape Vinhos.

A opinião é praticamente unânime entre as empresas, desde a Sogrape, a maior do setor, à Aveleda, Quinta do Crasto, Casa Agrícola Alexandre Relvas (CAAR) e a pequenos produtores como a Quinta da Gaivosa, Azamor e Quinta de Sant’Ana. Quebras de produção só se registaram no Alentejo. O Dão e a Bairrada destacam-se pela qualidade.

As empresas estão confiantes que a vindima permitirá um bom crescimento das vendas, com destaque para as exportações, em 2016.

Martim Guedes, administrador da Aveleda, crê que os mercados de exportação vão ter uma boa dinâmica no próximo ano. A empresa especializada em vinhos verdes tem concentrado «importantes investimentos comerciais e de marketing» nos mercados onde acredita ter espaço para crescer.

Os EUA são um desses destinos. Segundo Martim Guedes, a Aveleda tem lá uma equipa de três colaboradores para potenciar as vendas. Este ano, a faturação atingirá os 31,5 milhões, com vendas em mais de 70 destinos. «O vinho verde está na moda nos principais mercados» e, por isso, a Aveleda tem vindo a adquirir terrenos para aumentar a produção, com o foco na casta alvarinho.

Alexandre Relvas, administrador da alentejana CAAR, tem como objetivo para o próximo ano crescer 20% nas vendas, embora a produção tenha caído 10%.

A faturação da CAAR deve atingir este ano 7,5 milhões, com 70% a ser gerado nos 18 mercados externos onde está.

Face ao crescimento contínuo registado, a CAAR carece de investimentos na área de armazenamento e engarrafamento. Alexandre Relvas prevê realizar esse projeto em 2016-17, o que permitirá aumentar a produção anual para 6,5 milhões de garrafas.

A Sogrape tem investimentos orçamentados para a «atualização tecnológica, por forma a produzir para cada nível de preço a melhor qualidade possível», afirmou Miguel Pessanha.

O gestor perspectiva um crescimento de 15% a 20% em quantidade nas regiões onde a Sogrape tem produção, com exceção do Alentejo e de Trás-os-Montes, onde aponta respetivamente para um volume idêntico ao de 2014 e para um aumento de 10% com «vinhos de muito boa qualidade». O responsável sublinha o «excelente» ano nas regiões do Dão e da Bairrada.

A duriense Quinta do Crasto tem «grandes expectativas» com a qualidade da colheita deste ano – «um dos melhores anos de sempre», frisou Tomás Roquette, administrador.

A empresa Alves de Sousa, que detém a Quinta da Gaivosa, inaugurou nesta vindima a nova adega, um investimento de 1,2 milhões. Este investimento permite «aumentar a capacidade de produção» e garantir «a manutenção/aumento da qualidade dos vinhos», revelou Domingos Alves de Sousa, administrador.

Esta produtora do Douro, com vendas de 1,2 milhões, tem na exportação «um dos grandes motores de crescimento» (vale 60% das vendas), mas Domingos Alves de Sousa quer aumentar a importância do mercado interno, onde prevê crescer em 2016.

As produtoras ‘boutique’ Azamor (Alentejo) e Quinta de Sant’Ana (Lisboa) também não fogem à regra. A produção deste ano é «ótima», o que ajudará nos esforços comerciais além-fronteiras.

Fonte: AGRONEGOCIOS